segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Diótrefes e a alcoviteira

Escrevi este texto em janeiro de 2011, mas apenas enviei por email a alguns irmãos. Relembrei hoje, encontrei e eis aqui:

Vejamos no livro de 3 João 1:9-10 a figura de Diótrefes, um membro influente na igreja primitiva:
“Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.
Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja.”
Diótrefes, como nós lemos acima, desprezava João, injuriava João com mentiras maliciosas e, além de não acolher os irmãos ainda expulsava os que os acolhiam, ou seja, os que eram verdadeiramente cristãos.
Creio que ainda hoje existem alguns “diótrefes” por aí afora, trazendo grande prejuízo para a obra de Deus. O que me chamou a atenção foi para a versão feminina deste modelo que nós vemos, infelizmente, cada dia mais presente em nossas igrejas, a “alcoviteira”. Fofoqueira, mexeriqueira e que faz acepção de pessoas, são alguns dos significados para o termo “alcoviteira”. As irmãs que estão a ler este texto entendam que existem muitos “diótrefes” e alcoviteiros nas igrejas, mas fatos vivenciados em nossa história pessoal nos incitam a meditarmos neste instante nas “abençoadas” alcoviteiras.
É triste e lamentável percebermos que muitas varoas possuem uma conduta digna de receberem esta patente negativa. Algumas não podem ver um novo membro, ou uma nova família que chega à igreja e já correm de forma “meiga e amável” para receber os novos irmãos. As aspas colocadas na frase anterior indicam que a real intenção destes corações não é receber bem, mas buscar um entrosamento com quem chega a fim de descobrir detalhes, quaisquer detalhes, daquelas vidas, para que possam depois “tesourar” as vítimas pelas costas. Nesta conduta estão piores que Diótrefes, já que ele nem recebia o povo, estas recebem com a intenção maligna de fofocarem, injuriarem e caluniarem. A fofoca é a forma mesquinha de transmitir a informação, a injúria é uma mentira que visa denegrir a imagem do outro e a calúnia é atribuir ao outro crime que ele não cometeu, em nosso caso pecado não cometido.
O pior é que a alcoviteira tem sempre uma plateia cativa. Outras alcoviteiras e algumas simpatizantes que podem até não serem hábeis na malícia da alcoviteira, mas que são tão carnais quanto ela. Existia um forró do “tempo do bumba” que serviria perfeitamente como “hino oficial das alcoviteiras”. Em certo trecho a letra diz “... é só dar as costas que a tesoura come...”.
Um fato que nos leva a lamentar é que às vezes a alcoviteira vem até a se tornar amiga, ou “amiga” de suas vítimas, mas aí o estrago já está feito. Mesmo que pare de denegrir a vítima fica impossível a reparação total e a plateia carnal vai sempre guardar a imagem ruim das vítimas da alcoviteira. Sabe aquela irmã que “nunca foi com sua cara”? Ela pode ter sido plateia de uma alcoviteira! Certa vez ouvi a ilustração de que a fofoca é como lançar um saco de penas ao vento do alto de uma montanha. Por mais que você se arrependa do que fez jamais conseguirá recolher todas de volta.
Para nós cristãos fica o conselho da cautela. Evite expor sua vida pessoal ao primeiro sorriso amável que aparecer ou para a primeira palavra mansa de atenção e interesse em te ajudar. Jesus é nosso melhor amigo e Ele pode nos dar sabedoria e discernimento para escaparmos das alcoviteiras. Dê tempo ao tempo. Um ditado antigo dizia que você precisa antes comer um quilo de sal com alguém para realmente conhecer a pessoa. Haja comida pra se gastar um quilo! E muitas vezes nos decepcionamos até depois de uma carreta de sal! A decepção e o risco dela fazem parte da vida cristã, pois o cristão quando ama ao próximo não dá pra evitar certo grau de exposição, mas podemos e devemos ser simples como as pombas e prudentes como as serpentes, como diz a Palavra.
Oremos pelas alcoviteiras, o título que elas carregam tal qual um demônio montado em suas costas, é sintoma de uma vida religiosa e não cristã. Precisamos amar e interceder pelas alcoviteiras para que o Senhor, como já nos libertou de tantas mazelas que tínhamos, liberte-as, as salve e as cure para honra e glória de Seu nome.

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